Salvador, 19 de outubro de 2008
Caríssima Fernanda,
escrevo do Albergue das Laranjeiras, localizado no coração do Pelourinho. Aqui é tudo muito bonito, o povo é acolhedor e é um lugar excelente para quem gosta de subir e descer ladeiras (risos).
Estou em um quarto coletivo com dez camas. Mas o divido apenas com uma pessoa. Mulher, americana, talvez uns 20 anos. Digo talvez porque meu inglês é uma merda, então falei palavras soltas e a moça não entendeu nada. Acho que a única coisa que ficou realmente clara foi “no”, quando ela perguntou se eu falava inglês.
Apenas duas semanas se passaram. Andei por Alcobaça e Porto Seguro. No primeiro lugar, falei a verdade e decepcionei uma amiga. No segundo, estreitei laços familiares e consegui abreviar minha viagem.
Cheguei a Salvador e senti logo uma imensa vontade de voltar disfarçada de dor na garganta. Os remédios estão curando a dor, entretanto, a necessidade de estar junto dos meus não passa. Pelo contrário.
Esta história de viver é mesmo muito complicada. É preciso ir para descobrir que seu destino é ficar. Talvez não tão perto quanto antes, mas um pouco mais próximo. Uma distância que o coração agüenta.
Foi necessário partir para – mesmo em tão pouco tempo! – enxergar as minhas raízes. Eu tenho raízes, que teimei em cortar, mais profundas do que imaginei.
Belo Horizonte, 23 de outubro de 2008
Oi, Fernanda!
Já estou em terras mineiras. Ah, as montanhas… Esse ar acolhedor. Serei eu tão covarde assim que preciso estar sob a proteção de amigos e família? Só sei que a vida é muito curta pra ficar longe de quem se quer bem. Foi a melhor lição dessa mini aventura.
Aguarde e confie, em breve, novidades virão.
Beijos, Pat.
6 respostas Até agora ↓
Wesley Costa // Outubro 23, 2008 às 6:37 pm |
é…. relamente admiro sua coragem…
E ficooo felizz por vc ta seguindo adiante…
Espero qeu vc continue fortee, pois não será uma dor de garganta que vai te derrubar, depois de tantos aviões que jogamos aqui na redação, tudo é festa ASUHHUasuhAUHS
Siga em frente A Grande Mentecapto!
Ciça // Outubro 23, 2008 às 8:48 pm |
não sei se eu te amo ou odeio puta que pariu
pexenada // Outubro 23, 2008 às 9:07 pm |
seja bem vinda novamente!!! legal ter vc por aqui!!
ah, e a americana, trouxe pra cá?!
Raul Chaves // Outubro 24, 2008 às 1:14 am |
Fernanda,
São viagens, apenas viagens. Não está mais aqui quem falou, pois esta foi viajar. Foi e já voltou. Não tão rápido como esperávamos. Mas na velocidade que deu pra agüentar. Pra gente e pra ela (a que foi viajar).
Se descobriu algo que sempre esteve aos seus olhos, então não descobriu.
Reconhecer que aqui ficaram suas raízes era o mínimo que poderia nos falar, já que a nossa saudade vivia apertada. Suas reais palavras? Que ela nos tirou de dentro de seu baú. Aquele que você, Fernanda, tem um igualzinho aí junto de você. E olha, já passou da hora de tirar os seus também.
Raul Chaves
Ps.: Vamos puxar angústia qualquer dia desses?
Fernanda // Outubro 24, 2008 às 2:21 am |
Tô demais orgulhosa de você, Patota. E cá entre nós, a gente sabe que a questão aí vai bem além de ir e voltar, viajar ou ficar, nã?
Você está procurando, vasculhando, passando um pente fino, “fuçando tudo que é dor e alegria neste mundo”, e bicho, isso não é em vão, não pode ser, NÃO SERÁ, pode anotar aí.
E ter sido escolhida como destinatária dessas cartas me encheu de contentamento. Obrigada!
Ah, e a caríssima aqui, nêga, é você.
Beijo.
Fernandinha // Outubro 24, 2008 às 10:11 am |
Falar o que sobre isso?falar o que já sabia!! o que via antes de vc partir ,não…não podia eu tinha que te deixar ir ,raizes são raizes tem jeito não, e familia tb!!
Podemos não achar correto varias coisas mais não temos o direito de mudar o curso da historia ,isso vc teve que viver igual eu e o resto do mundo tem que viver a sua pequena parte de historia,vc sabe o que perdeu e que ganhou com tudo isso agora é esperar e pesar.te amo por traz do que todos podem ver,te amo por amar ,porque todo humano é bom !!!(eu não vou desistir de vc)