Vocês, pessoas jovens
ou da idade avançada;
vocês que passam pelo Mississipi
ou pelo afluentes e alagados do Mississipi;
vocês, amoráveis barqueiros e mecânicos;
vocês, difíceis;
vocês, gêmeos; vocês
de todas as procissões que se movem
ao longo das ruas
- entre vocês eu quero me infiltrar
até ver que passou a ser comum
andarem de mãos dadas!”
(Walt Whitman)
Sempre quis mudar o mundo. Ora, e quem não quer? Nem que seja o seu próprio – e insignificante – mundo. Mas não é de egoismo que quero falar. Hoje estou cheia de frases feitas. Portanto, não poderia deixar de mencionar “que Deus escreve certo por linhas tortas”. É assim que acontece comigo há muito tempo. Pode ser que seja eu mesma a escritora sobre as linhas inconstantes da minha vida – na verdade, prefiro acreditar que funciona desta maneira.
Enfim, caminhos tortos ou retos trouxeram-me onde estou agora: professora, ou quase. Depois de ver “Escritores da Liberdade” (Freedom Writers/2007), vi o quanto tenho que aprender. E já aprendi bastante (!) com a história real, em um passado recente, de jovens americanos sem futuro que, mais do que receberem ajuda de uma professora inexperiente, ajudaram-na a descobrir para que nasceu. A cada dia me vejo mais e mais envolvida neste novo rumo. E com a mesma intensidade que sou absorvida por ele não sinto vontade de deixá-lo. Outra novidade para as minhas inconstâncias.
Não abandonei nada, expandi as possibilidades. Quero mais é ser inteira em tudo que faço, já que pretendo ser grande. Não quero rotular meus caminhos e nem quem eu sou. “O que sou define o que eu faço”, disse um personagem engraçado chamado Max. E eu sou alguém insatisfeita em tempo integral. Mas não comigo ou com a minha vida. A inconformidade do meu ser é que me faz querer mudar o mundo. Filmes como este acendem o fogo que quase se apaga. Afinal, existe caminho mais indicado para isso do que a educação?!
Não interessa quem escreve meus passos – se é que outra pessoa ou entidade divina pode fazer isso -, muito menos se as linhas por onde ando são perfeitas ou tempestuosas. O que importa é que descobri o que realmente quero fazer de mim: ser dos outros e pelos outros. A educação foi o meio oferecido pela vida para que eu pudesse entender.
